domingo, 27 de fevereiro de 2011

Na Irlanda, megaleilão expõe falência do mercado imobiliário

Na Irlanda, megaleilão expõe falência do mercado imobiliário

O fim de fevereiro marca o início do décimo mês de ansiedade para a família de Z.A. Desde maio de 2010, a irlandesa de 41 anos tenta, sem sucesso, vender a casa que possui no condado de Wicklow, uma região montanhosa ao sul da capital Dublin. A propriedade chegou a valer quase 700 mil euros (cerca de 1,5 milhões de reais) nos anos do boom econômico da Irlanda e agora está à venda por apenas 400 mil. Ainda assim, não há interessados. Ou melhor, há quem se interesse, mas são poucos os que têm dinheiro para comprar.

Os bancos irlandeses, que no pico do crescimento da economia chegaram a conceder empréstimos de até 100% dos valores dos imóveis,  bateram às portas da falência no ano passado e só não entraram de vez no buraco graças a um resgate bilionário que receberam do governo, com recursos do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.

Ernani Lemos/Opera Mundi

Na Irlanda, anúncios de venda de imóveis e propaganda de candidatos dividem o mesmo espaço

Sem os financiamentos bancários, o antes próspero mercado imobiliário da Irlanda estagnou e começou a entrar em colapso. Um dos maiores efeitos pode ser sentido no início desta semana, com o anúncio de um leilão para o mês de abril, que será o primeiro de propriedades desvalorizadas do país.

A notícia animou os compradores, mas muitos vendedores só querem mesmo se livrar de um problema. "Os lances iniciais podem chegar a menos de 30% do que os imóveis chegaram a valer no auge do boom", revelou ao Opera Mundi Stephen McCarthy, da Space4U, uma parceira da empresa britânica que vai comandar o leilão, a Allsop. "Desde que divulgou o comunicado sobre o evento, o escritório da Allsop em Londres recebeu ligações de interessados dos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Dubai. Temos certeza de que esse leilão vai agilizar a recuperação do mercado", afirmou.

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